Devaneios

Poesia do último dos poetas ultra-românticos.

Nome:
Local: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil

Sexta-feira, Dezembro 30, 2005

Súplica


Vultos cercam meu leito fúnebre
Não os consigo diferenciar...
Até quando suportarei o lúgubre
Coração que não deseja mais amar?

Não quero mais esta vida enfadonha!
Chega de volúpia! Chegar de seios fartos!
Quero que a morte, outrora medonha,
Chegue célere, em passos largos.

Estou aos pouco entristecendo o espírito
Estou consumindo o ópio letal.
Por favor! Um copo cheio de absinto!
E embriague-me com seu líquido fatal.

Fujam! Fujam, vultos prazerosos!
Não desejo mais vê-las em meu quarto.
Não tenho mais gestos airosos.
Só sei que da vida estou farto!

Oh! Deus por que ainda devo viver?!
A desgraça é pouca e a alma padece
Basta! É preciso parar de sofrer!
A alma liberta-se e o corpo falece.