O Enforcado
Ainda ouço os sons do patíbulo
A multidão agitava entreolhava-se
Assistindo o espetáculo horrendo.
Com a corda bem amarrada
O carrasco estava a esperar.
Sol inclemente, castiga impunemente
A turba ansiosa e passiva sente
Que a hora fatal está a chegar.
Aos pés do cadafalso, a amada;
Choro convulsivo, as carnes tremendo
O altivo condenado, ainda se
Não acreditasse, apresentava-se belo.
O silêncio tomou o largo
Os sinos iniciaram seu badalar
A morte pairou sob a plebe amedrontada
O sacerdote encomendou o corpo
Com a túnica branca e a corda no pescoço
O infeliz réu observou o firmamento
E saltou para o escurecimento
Caindo do seu bolso um esboço,
Uma carta, admitindo-se morto
Dias atrás, no casamento de sua amada,
Quando matou aquele que a insultou no altar
Comprando-a por seu virginal estado.
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