Virgens de Ébano

Insano! Ouço vozes que correm o porão!
Como se elas ressurgissem da escuridão
E dentro desses vultos falantes
Via belas virgens cor de ébano ofegantes
Não acreditava! Voltaram as febres!
Elas estavam presas em cárceres
Mas romperam o grilhão que as prendia
E agora estavam a minha vigília...
Eram vultos! Ou eram virgens belas?
Não sei, mas eram novamente elas!
Sopravam os ares mórbidos em meus ouvidos
Enquanto este peito e este corpo lutavam destemidos
Para sobreviver e quem sabe encontrar
A virgem idealizada que ainda há de amar...
Suspiros, eu os ouço! Como estão pálidas!
Outrora tão bronzeadas e cálidas!...
Delírios que traduzem o choro da alma
Que poenta, ainda comete uma ressalva:
- Não ame! Não sinta essas saudades!
Mas mesmo assim teimo e respondo:
- Viverei o amor e encontrarei as felicidades!
A febre acaba, o delírio findou-se em meu cômodo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

27 de Dezembro

O Enforcado

A Cidade e o Tempo